Eram
três coroas, três tempos dos quarenta: início, meio e fim. Tinham os tons de
grisalhos, barriguinha cervejeira e uma disposição erótica típico dessa fase
masculina. Sentados num calçadão na vizinhança, tomavam umas cervejas e
observavam o mundo, menti. Olhavam descaradamente, uma jovenzinha que passava
para lá e para cá, carregava um celular, acessório básico da sua idade, fala
com alguém, ora parava ora caminhava, sem motivo e sem direção, só pra
justificar o termo telefonia móvel. Ela
desligou o aparelho e colocou no colo como a Larrisa Riquelme, daquele momento
em diante os três tinham conversa pra tarde inteira. Na verdade a adolescente
foi tema de milhares de conversas, depois daquele dia, sentavam no mesmo
horário, a desculpa era mesma, tomar umas cervejinhas e colocar o papo em dia
depois do expediente. Naquele dia reviveram o passado, cada um contou uma
bravata dos tempos de conquistas. E que nem o Coiote olhando o Papa-Léguas,
ficavam os três martelando qual a melhor abordagem. Foi assim que começaram a
pensar na cantada ideal para chegar perto da gatinha. O mais novo, mais
moderninho, saiu com essa: “Gata, me dá
seu telefone que eu te mostro que nós temos uma ligação”, os outros dois riram,
mas ele retrucou dizendo que como ela sempre estava de celular, era um
excelente xaveco (aqui no Ceará, chama-se queixo). O segundo, mais rabugento e
estressado, usou do seu peculiar mau humor e disse que tentaria assim: “Eu tive
um péssimo dia e ver uma garota sorrir sempre me faz melhorar. Então, você pode
sorrir para mim?”. Já o mais velho na temperança da idade escolheu a seguinte
cantada: “Com licença, mas qual é a cantada que funciona melhor com você?”.
Depois dessas sugiram outras em sequência aleatória era coisas do tipo: “Gata,
você não é a Garota de Ipanema, mas é a coisa mais linda e cheia de graça que
já vi”; algo mais ousado como: "Todas essas curvas, e eu sem freio nenhum...." ou romântica como: "Você acredita em amor à primeira vista,
ou devo passar por aqui mais uma vez?”. Por fim o mais velho fecha o recital de
cantadas como essa: “Vou chupá-la tanto que vai precisar tomar soro na veia”.
Depois dessa, o mais sedento foi alvo de todas as chacotas. Enquanto discutiam
qual a melhor investida, ela vaidosa e desdenhosa desfilava na outra margem da
rua. Esse ritual demorava horas,
terminava ao anoitecer.
*
* *
A
ninfeta entra no carro, trocam beijos e a mão dele vai, automaticamente, nas
suas coxas trabalhadas, não demora e já estão em um sítio, a sombra de um
cajueiro. É cedo e o clima agradável, ele estende uma toalha e ela se oferece
em banquete, nua caem folhas verdes sobre sua pele branca, ele a observa
sedento, se atira entre suas pernas... Ela tem sabor doce de caju... Ele delira
e ouve uma voz macia, não entende o que é dito, mas gosta do som... Continua...
A voz insiste, ouve agora claramente: Acorda, acorda meu amor, já está atrasado para trabalhar! Ainda sonolento ouviu: “bip-bip!!!” (A. Z. Silva)








