São Paulo é grande, se não bastasse, ainda tem a Grande
São Paulo. Quando cheguei pela primeira vez, fiz como a maioria dos migrantes,
entrei pela Rodoviária do Tietê, era um dia muito frio. Hoje sei, nem era tanto
assim. O motorista, me parece de maneira intencional colocava uma música de Zé
Ramalho: Eu sei que vou, vou para São Paulo. A música fala de um migrante que
não podendo voltar nas festas do final do ano, manda os presentes pelo
motorista da Itapemirim. Confesso que cheguei sabendo que não iria ser fácil.
Aqui descobri o que é grande, o que é pequeno, o que é o urbanóide e o jeca, o
que é o típico paulista e o baiano. Tudo ao mesmo tempo na Av. Paulista. Perdi-me
em Perdizes, foram bares, amores, amizades, conceitos e pessoas diferentes.
Vivi por um tempo perdido. Era tudo muito branco, não ornava com meus tons
marrons. Nunca me senti puquiano, mas carrego a PUC comigo. Lugar bom de
estudar! Salve o CNPq. Aqui morei em 7 lugares diferentes desde que cheguei: no
Pacaembu, numa pensão tinha um dono português que costumava dizer: oh vida
social cansativa! Assim foi minha vida por aqui: cansativa, mas prazerosa e
desafiadora. Na Praça da República, minha primeira ousadia. A placa era
convidativa: brinco e piercing
sem dor. Queria um brinco desde a época que Fábio Jr. era Jorge Tadeu. A
situação para mim era desafiadora, não queria colocar um brinco num lugar
limpinho, ali na praça parecia um cúmulo da subversão, sujo, e tinham que ver o
cidadão que ia fazer a perfuração. Me certifiquei: não vai doer nada, né? De
forma ríspida, de uma voz de quase um metro e noventa de altura ouvi um
estrondoso não, seguido de uma pergunta que quase me desconcertou, não soubesse
eu da minha heterossexualidade convicta. Disse a voz: é pra puto ou pra macho?
Tinha certeza que era pra macho, mas com receio perguntei, como assim puto? Ele
fez uma cara, e em um minuto eu estava com um brinco do lado esquerdo. Na
dúvida procurei entender essa história, afinal tem carinhas que usam nos dois
lados, os mais entendidos disseram que não existe mais isso hoje em dia. Eu
fiquei aliviado, mas ainda perguntei: mas antigamente os machos usavam brinco
de que lado? A resposta foi: macho não usava brinco. (A. Z. Silva)



Recordar é viver...
ResponderExcluirBons tempos passamos juntos!!!!!!
sorte nessa sua nova saga.
Pois então...Antônio Zilmar da silva, confesso que sempre quis saber essa história, mas nunca tive coragem de perguntar.
ResponderExcluirSabe, hoje eu suponho ser um belo dia pra te falar, pois nada mais concreto que o agora, que tenho a ti dizer é QUE BOM , que bom que nesse trajeto de vida veio do nordeste para esbarrar sua história nas nossas histórias, que bom que mesmo entre tantos medos encheu-se de coragem para crescer sem deixar de ser quem vc é.
Algumas pessoas que conheci e estas são poucas não tenho medo de expressar o quanto sou grata por haver conhecido, vc foi uma delas. Mais que um professor foi um amigo, e tenho uma grande certeza... comigo a muitos que torcem por vc, se é preciso alçar vôo, voe e voe alto, estaremos com certeza torcendo.
FERNANDA OLIVEIRA